sexta-feira, 29 de novembro de 2019

internet I love you but

3/4/18
internet I love you but you're bringing me down (ao ritmo daquela canção de lcd soundsystem)
internet I love you but please don’t take me away with you
deixe-me um pedaço de mim.
eu sinto que gostaria de ficar mais na Terra. ser mais matéria, mais presente, fazer coisas com minhas mãos. com minha buceta, até. aqui, onde estão meus pés, onde meu coração toca, onde meus dedos tocam e fazem barulho, que às vezes fazem choro, que fazem fechar o olho e levam pra longe. mas aqui, onde meu pulmão vibra, tosse, e excreta, eu mereço estar aqui também. 

é estranho perceber que não caibo na nuvem, mesmo ela sendo infinita.
<não estou sozinha - todos estão perdidos por aqui>
. hoje alguém me disse que não acha certo que peçam perdão, que ele num leva a nada, só serve pra afagar o ego do culpado, confortá-lo. eu não posso nada além de discordar. porque por tanto tempo discordar foi tão difícil? hoje apenas digo: não é bem assim, o mundo é tão complexo. nossos olhares são tão limitados.
tenho preferido dizer do que guardar a palavra. a mesma palavra que pra mim e pra você provocam sensações distintas, resolve, e confunde. a palavra importa, me importa, me exporta, me traz à tona, me traz à força. vou dize-la mesmo então só por dize-la.
vou inclusive expor na nuvem até que ela se dissipe, chova, vire foligem...

terça-feira, 19 de novembro de 2019

o mundo parecia tão menor

hoje pela primeira vez olhei no mapa o cálculo da distância entre nós. 6880 km. seis mil oitocentos e oitenta kilômetros. seis mil. eu nem lembrava como escrever algoritmos por extenso, já não se assinam cheques nem se fazem contas na mão. são números gigantes formando muros enormes entre nossos ouvidos, que ainda escutam as mesmas músicas ao mesmo agora, ao mesmo pensamento que intercala a mesma memória, minuto a minuto, segundo a segundo.
time moves slow tocando. e eu nunca quis tanto pular pro segundo onde te tenho.

te faço uma playlist de músicas de amor e escuto a que você me fez como se essa utopia romântica compensasse a realidade que não conseguimos compartilhar. não sei se é pior estar só ou estar contigo assim de longe, em sonho. quando acordo, é buraco fundo.

tu m'as dit: j'ai un trou. eu também, do mesmo tamanho, da mesma bala, da mesma bomba. a pior parte é começar a esquecer seu cheiro.

domingo, 3 de novembro de 2019

pra toda vez que eu estiver meio azul

lembrar de por onde já pisei com meus pés e com minha cabeça, quando só podia levar comigo os olhos 
lembrar destes pés pisando ou flutuando nesse exato segundo, e do milagre que foi eles terem saído da barriga de minha mãe e que, pra ela, o amor do mundo todo lhe aparecia em forma de pequenos pés, a única coisa que valia a pena quando a vida parecia cruel.

lembrar de não desistir de caminhar, ainda que às vezes dê muita vontade e ainda que às vezes ceda. está tudo bem em parar, afinal. respirar. contanto que continue em seguida. ainda falta muito o que ver e ouvir, pois tenho o milagre dos olhos, dos ouvidos e das mãos para apreciar, aprender, criar e sentir as coisas que vibram e também gritam ou choram às vezes. chorar reordena a bagunça.

lembrar que já pude chorar via os dedos - que maravilha é poder tocar um instrumento.

lembrar que existe internet, para o bem e para o mal, que me traz o mundo dentro do quarto. que loucura é a cabeça humana e seu poder de conectar-se a outras, viver o mundo em redes.
lembrar que existem rodas e asas, ainda que eu não as possua.

lembrar que existem livros, nos quais posso reviver ou viver pela primeira vez sentimentos e detalhes de vidas que não são minhas, ou que são, tantas vidas que vivo sem perceber ou realizar.

lembrar que, mesmo ao não esperar nada, o acaso me surpreende, muitas vezes em maravilhas, quando não se tem medo, quando não se desiste; muitas vezes em tragédias, afinal não se pode controlar tudo. o improviso é a chave. 

lembrar que mesmo sozinha, com disposição de explorar, posso viver momentos bonitos se me permitir a contemplação.

não esquecer que nessa vida já houve a sorte de um grande amor de verão, mas antes dele tiveram as tantas estradas que percorri sozinha, às vezes com tanto medo, às vezes tão maravilhada e sem entender nada, como chorando ao ter visto a torre pela primeira vez, tendo a plena consciência de que sobre ela repousavam os meus próprios olhos. 
tiveram tantas pessoas lindas, como Sophia, a artista que me ofereceu um sofá em Rennes, uma máscara feita por suas mãos e seu rosto, me levou a tantos passeios e trocas, e que hoje mora na Grécia, e quem sabe a gente a gente ainda se bata por aí...
teve eu em cima das pirâmides do sol e da lua, pensando em como eu era um grão de existência.
teve eu quando era pequena fazendo meditação, sem saber, na praia de atalalia, e passando horas sem pensar em nada, fazendo bolinhas de areia molhada
teve eu escutando o vento numa serra da chapada, e chorando porque ele cantava que nem o mar
teve eu criança com minhas primas fazendo bruxaria de verdade no sítio, porque acreditávamos.
teve meu medo e minha vergonha de Deus, que tudo olhava.
tem meus tantos amigos queridos com seus olhares únicos, com suas sensibilidades, com seus medos, com suas vontades de dizer, de escutar, e de transformar.
tem o passar a mão no pelo de minha gata e não pensar em nada enquanto ela ronrona.

tem a angústia, o caos e a pequeneza.

tem o mistério, vale mais respeitar.

por todas as delícias e as dores,  minhas próprias experiências, vale a pena continuar... 

[esse texto foi salvo automaticamente]

parece que você consegue ver tudo através de meus olhos, já não tão oblíquos e dissimulados, na foto do perfil. pelo meu story você me con...