sexta-feira, 24 de julho de 2020

[esse texto foi salvo automaticamente]


parece que você consegue ver tudo através de meus olhos, já não tão oblíquos e dissimulados, na foto do perfil. pelo meu story você me conhece, você já sabe de cor tudo sobre minhas escolhas estéticas, minhas escolhas de dito e de não dito. e você só não me cancelou ainda porque estou reagindo e agindo sob os princípios do manual do postável [clique \aqui/ para acessá-lo].

 
me sinto tão cansada de ter seus olhos sobre mim. de ter os meus olhos sobre mim. egotrip, autovigilância, empreendedorismo de si. chame como quiser. é difícil ser minha própria social media, coach, manager, revisora. tenho saudades de estar sozinha, de estar no silêncio, de estar em nula parte, se não sobre aquela onde meu pé pisa. de olhar pra mim só de dentro.

 
é verdade que me vejo constantemente falando sozinha, só que em conjunto. jogando meu pensamento à provação alheia. minha voz no meio de um grande e ensurdecedor ruído - RT se você chorou.

 
[off: quantas vezes você apagou antes de enviar?] 

até que ponto é possível reverter para rascunho a publicação, trazer de volta ao privado [se já somos transparentes];
até que ponto é possível reverter para publicação o privado, o que sinto ou sou realmente, o que sequer sei, o que não quero ter pressa [mas tenho] pra descobrir, se estou tão ocupada com o parecer [se estou tão ocupada sentindo o gosto];
até que ponto é possível se desfazer do que está na nuvem [quando na verdade ela é um prédio na califórnia];
até que ponto é permitido manter nela o erro [quando somos nosso próprio tribunal];
até que ponto nossas vontades são genuínas e nossas escolhas livres [se só quem é livre é o capital]?


/your internet connection is unstable/ 

and so is my head.

 

talvez meu maior dilema seja a ideia de que nossas bolhas nos dão demasiada importância, a ideia de termos seguidores. não quero carregar o peso de ser guru tampouco inspiração de ninguém. mesmo que na realidade não seja nada disso, e estejamos ocupados demais gerindo nossas imagens, sendo nossa própria inspiração, registrando o que somos ou queremos ser, alternando entre os papéis que tornam nossa existência, em nossas cabeças, menos dispensável.


tenho saudades da infância, do sentimento de mistério sobre a vida, sobre o outro, sobre mim.

/

"ei, tá aí?"
1 chamada perdida
"tô dormindo"
tava on, mas tava off

[não importa quantos meetings no meet, quantas lives ao vivo, sinto saudade de entralaçar nossas ideias e mãos sem delay]

quinta-feira, 2 de julho de 2020


tudo em baixo
embaixo do céu

tudo em baixo
embaixo da terra

tudo em cima
da minha cabeça no sonho
no pesadelo
o mundo se acabando e eu em cima
da pata do gato

hoje acordei
me alonguei
inspirei e expirei
e ela não respirou mais mais

amanhã
vou embora
amanhã
o tempo não passará

[esse texto foi salvo automaticamente]

parece que você consegue ver tudo através de meus olhos, já não tão oblíquos e dissimulados, na foto do perfil. pelo meu story você me con...