quinta-feira, 29 de agosto de 2019

se quero ir, metade de mim já não está

quem te vê assim apressada não sabe
nem da missa nem da metade
do que você foi mas já não sobrou
do que você é mas não deixou
ficar
nem por perto
nem por engano
nem por certeza

quem te vê assim tristonha não sonha
que o choro é a prévia da arrumação
seja da casa
seja da fuga

quando você decide ir
metade de você já foi

o futuro ficou pra hoje

é inverno mas sinto calor

\inverno_______ primavera__/¨¨¨¨*|__inverno______
_________inferno 
são os outros
todos que não são você quand t’es pas là
“é tudo beira em volta do buraco”

é tudo frio fora do casulo d'escargot 


que você me ajudou a construir
onde eu te ajudei a caber
depois de comermos cruas 
toda a carne e toda a pressa
lambendo até a última gota de lágrima salgada
amanhecendo pequenos mas infinitos 
doces e frescos.

da brisa de repente o turvo
curvo
de firme só a sede
cedo
você tarda
a lembrança também dança 
à deriva de correntes que não se controlam
só servem pra estarem às vistas
até que escureça.

sob um número que imagino mas não te conto
pois não se conta em nossas mãos
nem se adicionássemos nossos pés
nem quiçá nossos fios de cabelo
dos tantos metros quadrados 
amargos
dos segundos dobrados
pesados
afundo.

c’est toujours le temps
acordar e dormir
e de repente cabelos brancos

c’est toujours le vide
o mesmo buraco a preencher 
intapável como um orifício vivo

dans ces moments là je ne sais pas 
 je crois que s’aimer ne suffit pas

[esse texto foi salvo automaticamente]

parece que você consegue ver tudo através de meus olhos, já não tão oblíquos e dissimulados, na foto do perfil. pelo meu story você me con...